BRASIL, Sudeste, SAO PAULO, Homem, de 20 a 25 anos, Arte e cultura, Música, Gastronomia, Sexo, Retrô, Cinema, Livros

 

   

    Lentes da Silvia.
  A nata da família.
  Péssimo Exemplo.
  Ryot IRAS.
  Grande Mako.
  Sarah Lee :)
  Tamara Cristina Luiza Vick Barcelona da Silva.
  Crrs seeing crisis!


 

 
 

   


 
 
Poeira levemente Mofada.



Até Mais, e Obrigado Pelos Peixes!

Eu não parei de escrever contos e cotidiano, apenas cheguei num ponto onde

meus textos mais nada tem em comum com a temática bucólica deste querido blog.


Senhoras e Senhores, com vocês:

O último e curto post de explicações:

 

O último trimestre tem sido revolucionário.

Estou menos Clube da Luta e mais Dostoiévski,

me importando mais - principalmente comigo.

Estou desligando o foda-se por tempo indeterminado e

pensando em futuros.

 

Sem mais delongas, outro fim.

 

Eu vou começar a postar no Meias Revoluções, e outras coisas que não existem.

Que tem sido o símbolo da minha essência.

 

Obrigado pelo teu tempo gasto no Sépia, and...

 



Escrito por Felipe Gonçalves às 19h28
[   ] [ envie esta mensagem ] [ ]




Simpatia pelo mr. Vingança.

Essa é por mim.

 

Por todos os textos que não publiquei,

Por todo grito que engoli,

(E pelos sapos também)

Por cada chance que ignorei e

pra cada sorriso que não respondi.

 

Por cada dança não terminada e

por todo beijo não dado.

Por eu ter noção de ar só ao ver morte e

por cada morte que vi.

 

Por toda tarde procrastinando e

pra cada sorriso que forcei.

 

Essa é por todos os dias em que eu não vivi.

Estou exausto

de só existir.

 



Escrito por Felipe Gonçalves às 12h10
[   ] [ envie esta mensagem ] [ ]




Fly Me to the Moon, ou dois filhos da puta.

 

Estávamos num barzinho super charmoso que sempre que passava

em frente me prometia entrar.

 

A garçonete uniformizada de preto me trouxe um menu e um sorriso.

Às minhas costas um trio tocava uma versão jazzista de Fly Me to the

Moon. Na minha frente ela me olhava com indiferença em olhos

castanhos.

 

UMA NOTA RÁPIDA:

Ao contrário da resposta pronta

que costuma vir a mente, o sentimento

oposto ao amor não é o ódio.

É a indiferença.

 

Ela pediu petiscos. 'E o que vamos beber?' Não pensei: 'Que tal vinho?' 

 

"Sempre tão ritualista" e olhos virados pra cima.

 

A garçonete pareceu confusa e olhou pra mim, respondi "Duas

Heinekens" e ela foi embora. Uns dois minutos de silêncio

constrangedor depois, as cervejas chegarem.

 

Rompi o silêncio em desespero.

-Isso te deixou tão confusa quanto à mim?

-Nenhum pouco. - começou a marcar a música com os dedos.

-Você acha que semana passada foi um erro?

-Não. - Mais indiferença.

Bebi. Coragem.

-Acho que podiamos dar certo, nem sei como, mas acho.

Olhos virados pra cima de novo.

 

E O PRÊMIO DE   'COISAS QUE MAIS ME IRRITAM'  , VAI PARA..

..O virar de olhos dela!

Nada me faz sentir tão idiota.

Nada.

 

-Se fossemos pra estar juntos, já estariamos há tempos.

 

Ponto. Pra falar a verdade - conversava comigo mesmo neste

momento-, Já esperava esse tipo de resposta, afinal você não

é o tipo ou o gênero que ela gosta, não é querido? Incrível como

foi um alívio.

 

(É assustador quando nossos sonhos ameaçam se concretizar.

É muito mais seguro quando eles são apenas sonhos.

E muito mais mágico.)

 

O clima desanuviou, ficou agradável até; bebemos, rimos, curtimos a

banda. Era outra noite como aquelas que tínhamos frequentemente.

 

Caminhávamos rumo ao metro, desfiando filosofias baratas e fofocas.

O dia ameaçava nascer, e ela riu gostoso; e eu a amei mais que

nunca. Sorri, e doeu. Mas foi uma dor boa no fim.

 

Entramos na estação.

Havia um simpático assento para gordos na plataforma, e ela sentou

ao meu lado. Disse assim:

 

-Você já tem que ir?

-Não. - Mas é claro que não.

-Que bom - e dentes.

 

Ela se aconchegou e deitou no meu ombro. Eu a aparei com meu braço. 

Ela precisou de dois minutos. Dormiu. 

 

 

Foi um turbilhão de coisas: Ela quentinha. A sensação boa de cuidar.

O frio repentino inundando as veias..

 

CONSTATAÇÃO DAS QUATRO E MEIA DE UM DOMINGO:

Ela nunca esteve tão perto, e tão longe.


Ela se remexeu e me tirou de devaneios.

Me perguntava se ela ainda dormia quando ela disse baixinho:

"- Sabe, adoraria te agarrar agora."

filhadaputa.

Eu expirei um sorriso.

E consegui conter todos os meus ímpetos e instinstos:

- O que você vai fazer hoje?

- Almoço com minha irmã, saída com 'aquela lá' a tarde.

- Me dá o resto do teu dia?

Risos e um olhar triste:

- Não posso, poxa.. já tá marcado.

 

- Cancela. Deixa elas pra lá. - E eu podia jogar poker com a cara que usei.

 

- Filho da puta - riu -, tá bom.

 

E foi uma tortura imensa agir normalmente, algo como tentar

segurar uma granada na mão. Mas sabe, eu tinha certeza

que ia valer muito a pena.

É.

 

Embarcamos.

Éramos dois filhos da puta. Era domingo.

 


 



Escrito por Felipe Gonçalves às 00h50
[   ] [ envie esta mensagem ] [ ]




Rótulo Preto e Cabelos Vermelhos.

Depois de uma das sextas feiras mais estressantes da minha vida, parei num

pub na Consolação e pedi um whisky.

Tom me deixou uma mensagem e chegou ao

pub junto com minha segunda dose.

 

Conversávamos brevemente sobre nossos dias, quando um trio chegou

animado ao nosso lado. Eram duas garotas e um cara.

Uma das garotas puxou assunto com Tom - o que não é surpreendente;

Tom é do tipo alto, barbudo e bonitão -, fazendo algum comentário sobre o

agasalho da USP que ele usava.

Tom me incluiu na conversa, tal como o casal de amigos da menina. Ela era ruiva.

 

Ela e Tom conversaram por um bom tempo. O casal de amigos dela se

juntou a conversa, pra logo depois cuidarem de seus próprios assuntos. Pedi

um cowboy e minha atenção ficou no copo.

 

Estava bêbado quando Tom voltou à falar comigo. Não havia sinal da ruiva.

Tom disse que era apenas uma conversa de bar, sem nenhum tipo de interesse e

continuou a falar. Minha atenção diminuía proporcionalmente.

 

Percebi que estava quase na hora do último trem, interrompi Tom e paguei a

conta. Ele pareceu triste ou desapontado - não consegui discernir.


Saí rápido e de cabeça baixa me protegendo do vento frio da Paulista. Achei

graça no número de cachecóis coloridos que vi nas

pessoas. Segui as instruções do rótulo do whisky e continuei andando. 

 

Desci as escadas e passei as catracas da estação, me esquivando dos últimos

passageiros da noite. Caçava um chiclete perdido na jaqueta quando olhei para o

lado e me vi de frente para a ruiva do pub.

- Oi carinha dos whiskys. Está me seguindo amigo? - sorriso sacana espetado

no rosto. Ri junto.

- Fique tranquila. Sou inofensivo. - disse sério. O trem chegou e embarcamos.

 

Ela era ligeiramente agradável, um pouco inteligente e quase engraçada. 

(o álcool me deixa ainda mais arrogante.)

Descemos no Paraíso - piada pronta

- Fico por aqui - hesitou, abriu a bolsa, a fuçou e tirou um cartão amarrotado. Me liga.

   Lindas sardas. Coragem de rótulo preto. 

- Você trabalha amanhã? - a deixei surpresa com a pergunta. 

- Até as duas. Quer sair amanhã?

- Não quero acabar a noite agora.

De espantada, foi a incrédula, refletiu. Sorriu.

- Tem uma temakaria muito boa aqui pertinho. Estou faminta.

Eu também.


A acompanhei até o lugar, comemos e mantemos o nível de embriagues à base

de saquê.

Vinte para as duas da manhã.

        

Ela era formada em Administração, morava à duas quadras dali com uma colega,

sabia beber, era maliciosa e ...realmente engraçada. Me fazia rir com uma facilidade

incrível com suas piadas cruéis. Ela abriu a jaqueta jeans que vestia revelando

uma blusinha preta decotada com uma estampa de Zero,  do Smashing Pumpkins. Não sei

se fiquei mais surpreso com o gosto musical da garota, ou com com a pele branca 

salpicada de canela que seu decote mostrava. Fui elogiar a primeira supresa quando

percebi que ...não lembrava o nome dela!

Ela sorriu de uma forma tímida - a garota surpreendente não pára!

- Faz tempo que não faço umas coisas inconsequentes assim, sabia? - mordeu

o lábio. Eu sorri.

- Um brinde à isso - ela bateu seu copo no meu e olhou nos meus olhos, séria.

- Vamos lá pra casa? 

 

Terminamos nossos copos. Pedi a conta.

 



Escrito por Felipe Gonçalves às 20h58
[   ] [ envie esta mensagem ] [ ]




Os Piores Pecados do Homem.

Mais um texto ilustrado pela Cris :)

Cheque o trabalho dela aqui.

 

PRESUNÇÃO.

Ele é quase a mesma criança nos últimos vinte anos.

Emprego medíocre - que odeia ainda mais que o chefe. Faculdade massante, que nunca termina.

Se diverte com coisas bobas, como um 666 como resultado na registradora, ou com De Volta Para o Futuro passando na Sessão da Tarde.

Se encontra uma mocinha atraente no metro, olha pra ela com discrição e espera um olhar de resposta.
(imagina mil situações de como seria uma conversa com aquela mocinha).

Odeia cortar o cabelo, e como ele fica nas primeiras semanas após o corte.

Dorme cinco horas por noite, e imagina que é impossível alguém ser mais cansado que ele.

Achou que 500 Days of Summer foi baseado em sua vida.

Nunca foi verdadeiramente compriendido por ninguém.

Nunca foi verdadeiramente valorizado por ninguém e mesmo acompanhado, se sente sozinho.

Sabe dizer sem pensar, quantas vezes teve seu coração estraçalhado. Não consegue dizer quantas vezes já estraçalhou o de alguém.

Sempre foi pago com dor por todo amor que investiu.

  

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Um dos piores pecados do homem, é a presunção em achar-se único.



Escrito por Felipe Gonçalves às 01h26
[   ] [ envie esta mensagem ] [ ]




A Amiga do meu Amigo.

A primeira foto deste texto é uma edição do meu amigo Dee Souza, e as duas seguintes, feitas pela minha querida

Cris Melo. Se você gostou, confira o trabalho dela. Ela é uma ótima escritora além de fotografa.
http://www.flickr.com/photos/cris_sm
http://teoriafalida.blogspot.com/


Foram as oito horas do trabalho mais maçantes que já fiz na vida. Mas precisava da grana.

Enquanto pegava meu pagamento, Miguel me mandou uma mensagem no celular dizendo que

todos me esperavam do lado de fora, e que iriam comer alguma coisa no shopping ao lado.

Saindo daquele prédio frio, encontrei um fim de tarde de domingo ensolarado e consegui sorrir.

Miguel esperava com pessoas que eu não conhecia pessoalmente ou por foto, só de ouvi-lo falar.

Ele me apresentou Mendes e Gabriel . Mendes tinha um entendimento absurdo do mundo e

Gabriel era um cara extremamente lógico. Mendes fazia traduções e Gabriel dava aulas de Ciências

pra crianças. Mendes era mais alto e mais moreno que Gabriel, mas ambos estavam com camisas,

jeans e all stars idênticos.

Enquanto conversávamos, duas amigas de Miguel  voltavam conversando com latas de Coca na mão.

Elas pareciam mais novas que os rapazes. A Jô(ana) era uma junkie magrela que costumava dar pro

Miguel, ela é funcionária pública e provavelmente é quem ganha mais dinheiro nessa turma, mesmo

namorando, talvez esteja aqui só pra ficar perto dele – que não quer saber dela. Encerrando o

grupo – com cara de nenhum interesse -, estava a Cléo. Mocinha andrógena que terminava a faculdade

de jornalismo e tinha esmagado, estraçalhado e moído o pobre Miguel. Ela definitivamente não fazia o meu

tipo, mas é intrigante esse arzinho blasé dela. Miguel olhou pra ela por um segundo, e continuou a

conversar com os meninos.  Me apresentou às meninas e tentou me colocar na conversa algumas vezes.

Fomos caminhando pro shopping, onde a Jô e o Mendes tinham estacionado os carros.

A conversa do caminho consistia em: a Jô querendo chamar a atenção do Miguel - que a ignorava-, ele por

sua vez conversa comigo e com o Mendes, que ficou surpreso e interessado ao saber que fotografo e a

Cléo conversava sobre o trabalho que tínhamos feito com o Gabriel.

Entramos no shopping e fomos repor nossas energias, afinal estávamos cansados, endinheirados e felizes

por termos acabado o trabalho. Sentados na mesa enquanto comíamos pratos de partes diferentes do mundo,

observei melhor a interação daquelas pessoas. O Mendes revelou que havia começado um livro misto,

romance e poesia, o que deixou Miguel absorto em curiosidade e cheio de perguntas. Era modesto o Mendes.

Gostei dele. Obviamente Miguel o admirava bastante, e eu sempre gostei das poesias do Miguel, logo ouvi com

atenção os detalhes do livro. A Jô atendeu uma ligação do namorado, e conversava com ele com um ar de entediada.

Gabriel questionava Cléo sobre os planos profissionais futuros, emendou uma piada mal sucedida, riu e repetiu

a piada à Mendes. Cléo virou os olhos pra cima num sinal claro de descrença e desagrado, eu sorri e ela olhou pra

mim, e fez uma cara de surpresa.

Eu planejava ficar um tempo a mais com Miguel pra pormos a conversa em dia, pois quase nunca nos vimos

–moramos em cidades diferentes. Então sugeri um chope ao fim da refeição, mas ele parecia desanimado e

subitamente triste. Disse estar cansado, e quis ir embora. Olhei para o lado com um pouco de decepção e vi Cléo

olhando pra mim.

Ao sairmos do shopping, subimos ao estacionamento pra decidir como iríamos embora. Como já disse,  moro numa cidade vizinha

e odeio incomodar os outros com este fato, recusei uma carona do Mendes até em casa, então a Jô sugeriu me deixar próximo a

estação de metro com terminal intermunicipal de ônibus. Miguel era quase vizinho de Mendes. Cléo morava perto de Gabriel e do

terminal de ônibus.

Então me despedi do Mendes com promessas de trocarmos mostras de nossos trabalhos por e-mail, e dei um abraço

forte e longo no Miguel, tive uma sensação estranha – talvez de perda, ou uma necessidade súbita de proteção -, não

quis largá-lo, então ele me deu um beijo gentil na bochecha pra encerrar o abraço. Apertou a mão do Gabriel, - que era

muito macho pra um beijo -, se esquivou de um abraço tão longo e apertado quanto o meu, dado pela Jô, e a Cléo

plantou-lhe um beijo rápido na bochecha. Ele olhou pra mim, sorriu e entrou no carro.

Dentro do carro da Jô, percebi o quão mal ela dirigia, e fiquei até com um pouco de medo. Gabriel operava o rádio e fazia

piadas com a nossa motorista irresponsável. Cléo olhava displicentemente pela janela, e eu continuava a não dizia nada.

Jô deixou Gabriel em casa, que se despediu acenando pela janela. Nem eu, nem Cléo levantamos pra ir pro banco pra frente.

Sem parecer se importar, ela dirigiu até o terminal, onde agradecemos e descemos. Ela acelerou sem olhar pra trás – Não

foi com a minha cara, e provavelmente sabia da importância de Cléo pro Miguel.

Caminhávamos até o terminal, quando virei pra me despedir. Cléo sorriu e falou com a maior indiferença possível, que estava

com sede e que ali do lado, havia uma choperia muito bacana, com som ao vivo. Levantei a sobrancelha, refleti um segundo e

ela decidiu por mim, Você falou que queria tomar um chope, oras. Tá certo, vamos tomar um chope então.

Flashes, flashes, flashes, cheiro de suor, cervejas e jazz de primeira.

 

 

 

 

Segui-a até uma mesa. Eu adoro esse bar, chopp barato e bom e som de primeira – disse sorrindo. Sai pra ir ao banheiro.

Suava bastante e o bar estava cheio, o banheiro estava mais cheio ainda. Comecei a questionar o que estava acontecendo

enquanto jogava água no meu rosto.

Voltando à mesa, encontrei Cléo, dois chopps e um sorriso.

Me choquei ao notar o quão fácil a conversa tinha se tornado. Falamos de jazz, contrabaixos, piano, fotografia, arquitetura...

e ao término da quarta caneca, de relacionamentos. 

Ela me disse que se envolvia basicamente com garotas – nada que eu não tivesse ouvido do Miguel -, e que havia se envolvido

com pouquíssimos caras.  Me disse que havia se lembrado de uma fotografia minha num dos trabalhos do Miguel. Experimentei

um pouco de culpa neste momento. Concluímos a noite à quinta caneca falando sobre as peças de jazz que ela estava concluindo

ao piano...

Quer saber? , vamos em casa, eu te mostro. Não Cléo, está tarde. Vai ser rápido, prometo. Tá vamos ver sua peça então.

Caminhamos devagar por causa do álcool, e duas ruas depois, chegamos à casa que ela dividia com o irmão. O irmão de Cléo

é mais de dez anos mais velho. É engenheiro de vôo, portanto Cléo mora praticamente sozinha, já que seu irmão costuma aparecer

uma ou duas vezes por mês. Chegamos a uma bela casa, com aparente idade, mas impecável pintura e acabamentos. Ela abriu o

portão, e eu perto senti o cheiro de seu suor. Senti um tremor que não tinha nada a ver com o álcool. Entramos.

Chegamos a uma ampla sala, que era o centro da casa, e conectava todos os cômodos. O centro da sala era um piano de armário

preto, reluzente e lindo. Fica a vontade – me deu uma Coca – vou trocar essa roupa. Abria a lata quando ela entrou no quarto e

encostou a porta parcialmente. Eu via enquanto ela de costas, tirou a camisa, o sutiã e a calça, revelando uma pele branca,

um corpo magro e uma calcinha branca básica. Ela colocou um shortinho e uma camiseta branca – sem sutiã. Ela voltou com um

sorriso. Continuava não sendo meu tipo de mulher, e Miguel continuava sendo um dos caras mais maravilhosos do mundo. Mas

sabe, ela era uma graça.

Que cara é essa? Nada, nada, acho que o calor e o álcool. Quer trocar de roupa? Não, tudo bem. Quer ver minha peça então? Quero.

Os seios dela estavam lindos naquela blusinha e eu não deveria reparar nesse tipo de coisa enquanto ela abria a gaveta do piano.

Sentou olhou pra mim – de volta com sua expressão de indiferença. Me mostre o que você fez.

Então ela começou. Bebia a Coca. Tamborilava o ritmo com os dedos. E continuava a sentir o cheiro de seu suor. Me assustei com a

hora quando ela terminou. 

Foi uma experiência maravilhosa, Cléo. Que bom que você gostou.  Me diverti mais que com aquela banda profissional. Você é gentil.

Preciso mesmo ir, é tarde. Ah, tudo bem então, te levo à porta. Tudo bem. Desculpe sair assim. Não tem problema.

Alguns tremores me tomaram, e quando cheguei à porta, virei pra me despedir. Ela me abraçou, e eu senti o suor de seu pescoço,

e senti de novo e de novo. Estava ofegante quando ela me soltou. Não era o meu tipo de mulher, Miguel continuava apaixonado e

ela me jogou na porta e enfiou sua mão por baixo de minha camisa enquanto beijava meu pescoço. E eu sentia o cheiro de seu suor.

Tudo ficava turvo e parei de pensar.  Ela me puxou pelo braço, entramos e ela me sentou no piano fechado. Senti o gosto do

chopp novamente quando ela me beijou brevemente, afinal preferia mordiscar meus lábios. Ela dominava totalmente a situação e

arrancou botões da minha camisa ao abri-la de uma vez. Achei ótimo e continuava sem ação. Ela desabotoou minha calça

enquanto subia minha barriga em desenhos com sua língua. Eu agarrei seus curtos cabelos e ela puxou meu sutiã e de vingança,

mordiscou de leve meu seio, eu gemi...

 

 

Ela não era meu tipo de mulher. Eu amava Miguel a ponto de fazer quase qualquer coisa por ele. Acho que foi o cheiro de suor

que me fez perder a hora, as noções e cabeça, porque eu que sempre fui dominadora, perdi totalmente o controle com aquela garota.

 



Escrito por Felipe Gonçalves às 14h01
[   ] [ envie esta mensagem ] [ ]




Cocaína, Bailarina Cocaína.


(...)

 

 

Nesse período fora, em Nova York, tive inúmeros casos sem importância.

Na verdade, sempre fiz questão de torná-los assim - apesar de não conseguir este efeito sempre.

Algumas publicitárias irrelevantes, uma musicista, uma bailarina, uma

bancária, uma psicóloga sádica, uma professora de inglês,

duas vendedoras de shopping. Quase todas junkies extremadas.

 

Joan dançava num bar de jazz - onde também era garçonete,

e era de NY mesmo. Era irritantemente dramática.

 

Nos conhecemos num dia em que estava num puta porre, e parei

no bar onde ela dançava. Tomava um uísque bem vagabundo e avistei

a porcaria da psicóloga sádica - Ah sim, ela me dispensou,

alegando que eu era um péssimo ser humano. Engraçado.

Ela estava sentada com um velho branco engravatado, tendo uma

ótima noite. Fiquei imaginando ela vestida em couro, montada

em cima dele, amarrado e tomando chicotadas. Ri.

 

Decidido a estragar a noite de alguém, puxei a garçonete e perguntei

se poderia tocar um pouco de piano - ah sim, no canto dedicado a banda,

havia um piano de armário preto todo reluzente. - Ela me olhou, olhou

pro piano, foi até o bartender - que aparentemente era o encarregado-,

voltou e disse que não tinha problema caso eu soubesse o que fazia.

 

Peguei meu uísque, ajustei o banco, estralei o pescoço, pousei

o copo num guardanapo e toquei uma música que havia tocado pra

psicóloga.

 

Ela olhou e me viu instantaneamente chocada. Joan, que por acaso era

a garçonete, ficou impressionada com minha sensibilidade.

(Preciso diminuir meu sarcasmo por aqui).


Joan se encantou.

Dormiu no meu apartamento na mesma noite.

Praticamente se mudou pra lá em duas semanas, ficou obcecada e me

deixou até um pouco assustado.

Ela era muito magra e doce. Com certeza era a maior apreciadora de

cocaína que já conheci.

 

Ela costumava usar de uma forma não tão usual: muito mais engraçada por

sinal. Ela enfiava o pó no reto, porque morria de medo de ter

o nariz deformado. Esperta pra caralho, minha doce bailarina narcisista.

 

No dia que percebi que ela estava se mudando aos poucos pro meu

canto, e em que comecei a pensar em como me livrar dela, ela

pegou farinha na bolsa, arrancou as roupas e abriu minha calça.

Me chupou de joelhos enquanto abria o papelote, então parou

e fez uma carreira no meu pau, então me olhou nos olhos:

'Te amo tanto, seu filho da puta!'

Cheirou, amou.

(...)

 

Cocaína nunca foi a droga pra mim.

Sempre achei que o preço a se pagar no fim, não valia a viagem,

Nem o sentimento de invencibilidade. Eu sempre fui contido em

coisas que amplificam minhas crises. Talvez medo. É, medo.

 

Joan gostava se ver no espelho enquanto trepávamos, e pra me livrar

dela, foi só responder que realmete achava que ela havia engordado um

pouco, agüentar uma ceninha desagradavelmente engraçada, limpar os

cacos de dois pratos quebrados no chão, e arrumar minhas coisas jogadas no chão.

 

Troquei as fechaduras da porta. Sabe-se bem como são essas junkies revoltadas.


(...)

 

 

 

Trecho do romance que desisti de terminar.

Aposentei a máquina de escrever afinal.

 



Escrito por Felipe Gonçalves às 12h23
[   ] [ envie esta mensagem ] [ ]




(500) Dias de Inferno.


 

Então chegou no ponto sem retorno finalmente.


Liberdade é não ter mais medo, já disseram antes.


Então guardou o disco dos Smiths na estante.
Foi até a cozinha, e jogou o finzinho das cervejas quentes na pia.

Em silêncio, caminhou até o quarto com um copo d´água na mão e olhou o céu escuro.
Ele não gostava de janelas e alturas.
Não por medo de cair, mas por receio em pular: tinha um enorme facínio em mergulhos, e vôos no vazio.
E o ar sempre o chamou - nada de se estatelar, apenas voar.

De volta à cozinha, abriu suas anotações e comparou documentos enquanto a água do café fervia.
Aperfeiçoava seus planos, e viu que sua rota traçada, parecia muito boa.



Bebia o café na varanda enquanto o dia nascia, sorriu e lembrou de alguém sem rosto comentando
o fim eminente da estação mais quente do ano (mas o calor continuava).

Foi silencioso ao lavar sua xícara e em se vestir, não precisava acordar ninguém.

Roubou um jornal em uma porta vizinha e achou graça, acenou ao porteiro e saiu para o dia.

A estação estava no fim, e ele percebeu que finalmente cruzava as fronteiras do purgatório.



Escrito por Felipe Gonçalves às 14h28
[   ] [ envie esta mensagem ] [ ]




Morte, Ascensão, A Queda e Amarras Soltas.

Estava relendo uma conversa por e-mail com o Mota, e achei coerente com o momento.

(...)

Me senti um pouco como ao terminar e refletir sobre o Anticristo do Fred.

(falava sobre o filme O sétimo selo, e sobre  A Queda, livro de Albert Camus).

Não consigo mais amarrar a corda na pedra angular e sólida na qual amarrava o 'prosseguir'. Melhor, o 'continuar' da minha vida.
Aquela coisa de aguardar uma paixão plena, uma prazer completo, a experiência definitiva - a revelação antes do fim.
Mas a verdade é a mesma do cruzado (protagonista do filme, que se recusa a se deixar levar pela Morte, antes de ententer o sentido da vida). Por mais que enganemos a Morte com jogadas ousadas de cavalos e bispos suicidas, não há um clímax e um grand finale. Tudo simplesmente acaba. Com você voltando de uma festa e sendo atropelado por um veículo descontrolado, de cancer do pulmão sem nunca ter fumado, ou de infarto aos 38.

Resta-nos escolher nossa postura. E só. Se bem que na real mesmo, como todo o resto, não importa.

Caiu mais uma amarra, e um balão é solto. Não tenho noção de quantas ainda existem até elas cairem, porém desejo (e espero!),
que no fim, sem amarras, aja liberdade plena, e não queda livre.

(...)


E com o final, o rei só não cai, se o jogo for interrompido.

E convenhamos, isso é mais triste e pobre que o cheque mate inevitável.


Acabo de comer sua rainha, badass.



Escrito por Felipe Gonçalves às 18h10
[   ] [ envie esta mensagem ] [ ]




Tarantino´s Mind

Seu Jorge e Seu Selton Melo discutindo teorias tarantinescas.



Escrito por Felipe Gonçalves às 16h27
[   ] [ envie esta mensagem ] [ ]




Ano Novo, Vida Velha.

Meio janeiro já passou.

Milhões de planos e promessas e nada caminhou muito por aqui.


Estou escrevendo (tentando, pra ser mais preciso) um romance. Ia subir o primeiro rascunho das primeiras páginas, mas aparentemente minha multifuncional morreu. 

No quesito saúde, minha fiel companheira Babi quase morreu e transformou um texto antigo meu em realidade.

Ela foi operada nesta semana.

Falando em animais, no ano novo um gatinho apareceu por aqui e por aqui ficou (de uma maneira bem inusitada, pra falar a verdade). É um viralatas bem malandro e por isso seu nome ficou sendo Chico.

Ao que parece vou voltar ao old school com o Murilo em relação à música.

Minhas aulas já começaram e a chapa tá quente.

Enfim, vamos ver o que vai ser deste ano.

 Só espero que ele seja um daqueles bem marcantes - de preferência de uma maneira positiva.

Cheers. 

 



Escrito por Felipe Gonçalves às 21h42
[   ] [ envie esta mensagem ] [ ]




Kick me out, kick me out!

Estava há um par de semanas no SENAC com uma camiseta do Flogging Molly,

quando um rapaizinho e uma mocinha bem simpáticos vieram perguntar sobre o que era a 'Banda do Trevinho'.

Conversamos uma meia hora e no fim trocamos e-mails. Eles pediram umas sugestões de músicas novas, porque adoraram

aquela coisa bluegrass/punkona/animada/vamos-beber-e-dançar que passei pra eles, mas pediram sugestões de coisas brazucas.

Então mandei os meus cinco cds nacionais favoritos de 2009 pra eles.

A Tamara fez um top10 no blog dela, e reparei que minhas microresenhas, eram praticamente isso.

Enfim, estes são os meus cds nacionais favoritos de 2009.

 

CONTRA TODOS, do Dead Fish

Sabe, talvez seja a banda nacional mais marcante na minha formação pessoal.

Não vou ficar rasgando seda, e vou ser direto. Letras tocantes e avassaladoras, guitarras do sr. Phil

fodendo com tudo, e um peso violento. O álbum é pleno. Destaques para Autonomia, Contra Todos e

Venceremos - que dá vontade de cantar fazendo coro.

 

 

Você pode baixá-lo aqui.

 

 

LIFE IS A BIG HOLIDAY FOR US, do Black Drawing Chalks

 Rapaize.

Quatro bróderes resolveram fazer um rock garageiro de macho - pra variar - neste brasil-sil.

Com um puta cuidado gráfico, fizeram o clipe mais bonito do ano. E mais, a música mais chiclete também.

 

 

 

Eles linkaram na MTV os dois albuns, de graça.

 

 

PRA QUEM JÁ MORDEU UM CACHORRO POR COMIDA, ATÉ QUE EU CHEGUEI LONGE.., do Emicida

 Pra colocar alguém da minha quebrada na lista (háá).

Um dos rappers mais criativos e ácidos que conheci. O álbum dele me faz pensar

muito em sambas antigos. E é extremamente  melodioso.

Acho MUITO foda a fotografia deste clipe - concorreu até um VMB.

Político - lindamente político - e poético. 

 

O debut dele tá pra download aqui.

 

 

ARTISTA IGUAL PEDREIRO, do FANTÁSTICO Macaco Bong.

Macaco Bong abriu um novo horizonte pra mim: o das músicas instrumentais.

Eu não dei nada quando ouvi 'ah, é um trio meio rock, meio soul, meio funk instrumental'

Acontece que é simplesmente a banda mais impressionante que já vi num palco. É energia pura,

virtuose mixado à sons orgânicos. É embasbacante. Sério.

Show deles é uma experiência única.

E você pode baixar o album com encarte até, via trama.

 

 E pra terminar:

EPS EM CONSTRUÇÃO & JÁ FAZ ALGUM TEMPO, do Zander

 -Então, que que cê acha de a gente pegar um hard core, meter três guitarras, enfiar blues, um tico

de bossa nova e ver o que dá? 

-Poutz... que cheiro de fiasco, cara..

-Ah, um dos guitarristas, é o Phil do Dead Fish e outro (que até canta, rapaize) é o Bil do Noção de Nada.

-surpreso 

Zander  me fez querer voltar a ter banda. Foi a coisa do ano pra mim.

 Os dois EPs estão disponíveis pra download na página do trama.

 

 

 

 

 



Escrito por Felipe Gonçalves às 00h45
[   ] [ envie esta mensagem ] [ ]




Desabafo

 

Refletindo que nem um idiota depois de um sonho não menos idiota, no qual um garotinho chegava à porta de um Felipe mais velho,

com uma carta explicando que era meu filho (Não, não era um filme do Adam Sandler..) e que sua mãe havia morrido e bla bla bla, pensei

na sorte que o bastardo teria.

Além obviamente de ser meu filho(háá), e ter um pai sem estabilidade financeira, mas compreensivo e liberal e MUITO legal, os 'tios' e 'tias' que o pirralho teria. Sério, olha só, músicos de toda sorte, cinéfilos apaixonados, professores, mestres, atores... sem contar os tios nulos e sem graça pra equilibrar o garoto pra esse mundo nulo e sem graça.

 

Foto pra ilustrar meu atual estado de preocupação com pessoas e coisas :)



Escrito por Felipe Gonçalves às 16h58
[   ] [ envie esta mensagem ] [ ]




Masturbação com Teclas

Lisboa, janeiro de 1921

 

Cinza era um jovem pianista do teatro Municipal.

Aos dezoito, já tinha saído com as dançarinas mais bonitas da companhia local, mesmo nem sendo tão bonito assim. Quando mais novo, era um romântico inveterado (pra começo de conversa, foi por isso que virou pianista). Era muito esperto porém, e aprendia rápido. Após uma série de decepções amorosas, se moldou frio, cruel e com um coração bem peludo. Cinza aprendeu à seduzir – pulava de cama em cama sem nenhuma culpa.

Numa bela tarde de quarta feira, Cinza foi confrontado pelo namorado de uma de suas conquistas, em uma taberna encardida. A sanidade do pobre namorado, caiu perante à pressão de ser sempre comparado à Cinza.

A discussão esquentou e virou uma briga. Ao se defender de uma garrafada, Cinza teve os tendões de seu braço separados cirurgicamente pelos cacos de vidros. 

 

Seis meses depois, Cinza desistiu de se frustrar e se magoar: sua carreira estava realmente acabada.

O pobre rapaz tentou pular no rio Tejo, mas pela falta (ou sobra!) de coragem, não o fez. 

Cinza começou à dar aulas de piano para algumas crianças abastadas, e pra engrossar sua renda, virou afinador de pianos.

A auto estima de Cinza começou à se recuperar quando ele teve uma série de casos com mães de alunos, filhas ou jovens esposas de velhos senhores ricos, flácidos e tediosos. Afinal seu charme não se baseava em sua música.

Quando cinza fez vinte e cinco anos, foi brindado com uma festa na casa de um rico comerciante local chamado Aurélio. Cinza ensinava o caçula de Aurélio, e sempre fazia hora extra no quarto da esposa dela. Aurélio – que desconhecia as infidelidades da esposa - amava Cinza como um filho.

O dia da festa de aniversário de Cinza, foi o mesmo que o da volta da primogênita de Aurélio, Ângela. Ela estudava Artes em Londres.

Ângela era uma moça com vinte e poucos anos, altura mediana, peso mediano, (uma moça comum!). Ângela mantinha os cabelos curtos, e a visão de seu pescoço nu, deixou Cinza desconcertado. Ela não era tão comum assim afinal..

Os dois foram apresentados – e Aurélio se deliciou ao notar o interesse do querido professor de seu filho. Ela porém, parecia apática e distante. Para a surpresa e desespero de Cinza, ela parecia imune à todos seus encantos.

 

Cinza foi tomado pela obsessão. 

Tinha um novo objetivo na vida: Destruí-la.

 



Escrito por Felipe Gonçalves às 11h03
[   ] [ envie esta mensagem ] [ ]




Grades Invisíveis III

Capítulo 0.5

O marcador da hypervelocidade informava que chegariamos em poucos minutos.

- Ava comece os preparativos. Prepare meu traje espacial. Faça uma varredora militar na área. Carregue os canhões e deixe os escudos prontos pra serem baixados.

- Entendido, Capitão.

Três anos. Três anos esperando este momento. Estranho que não há medo. Nem dúvidas. Só, e apenas só, essa maldita ansiedade.

Vou seguir as palavras do Lou Reed e do Brandon Flowers, e ficar tranquilo (Maldita Ava, tem mais sensibilidade que a maioria dos humanos que conheci).

O sinal parou de piscar. A sensação de solavanco fez força contrária. O coração pulou.

- Tudo pronto, Capitão.

Em dois minutos estava pronto pra sair da nave. Olhei pela escotilha. Era um asteróide. Estava dentro de um asteróide.

- Fique atenta Ava, estou descendo.

- Boa sorte capitão. - ela fechou a porta  dedespressurização atrás de mim. Era hora.

O Espaço se abriu estoneante diante de meus olhos.
O Asteróide era cor de terra, e por mais irregular que fosse, lindo.

Operei meu Jetpack, e chequei mais algumas leituras. Uma radiação estranha surgiu no radar.

- Ava?

- Já estou checando, Capitão. E de qualquer forma, está muito distante, continue.

 

 

O tempo não existia ali.

Pousei no asteróide. Ele tinha um pequeno campo gravitacional. Meu objetivo estava à duzentos metros de distância.

 

O terrenho era irregular e agressivo, e levei mais tempo que planejava na caminhada.

Quando o sinal ficou mais forte, me deparei com uma grande fissura na rocha.

Estava em cima do sinal, à três metros, precisamente.

Pensei em descer de Jetpack, mas gastaria muito combustível por causa da gravidade. Saquei um gancho e o prendi no cinto.

Comecei à descida. Um passo de cada vez. Zumbido no ouvido. Coração na boca.


A Cratera.

Me impulsionei pra dentro. Lá estava. Era impossível ver, porque quase fui cegado pela luz emitida.

Estava à um metro do real significado da minha existência. Apito agudo. olhei pra fora.

- Alerta vermelho, Capitão! - Ava berrou no meu ouvido.

A Hit and Grace fez uma manobra e descarregou seus canhões.

Virei espectador, sem entender o que acontecia.

Um disparo ionico riscou o céu, e a Hit and Grace. Olhei pra fonte, e entendi tudo.

A Hit and Grace implodiu. Perdi um pedaço de mim. Cai de joelhos.

 

Esparando o inevitável, destravei minha arma...

 



Escrito por Felipe Gonçalves às 18h09
[   ] [ envie esta mensagem ] [ ]





[ página principal ] [ ver mensagens anteriores ]